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segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

a via láctea, de lina chamie



é verdade. saí do cinema ontem falando mal do filme. disse que não tinha gostado e tal. cheguei a dizer que a melhor cena foi a do atropelamento de um cachorro, que, diga-se de passagem, teve uma ótima atuação.

maaaaaaas.

no caminho de volta pra casa, fazendo praticamente o mesmo percurso do filme (avenida paulista e proximidades) fiquei pensando na confusão da trama. até sonhei com o filme.

a história é a seguinte: um casal termina o relacionamento pelo telefone. ele (marco ricca), um chato professor de literatura [porque será que todos os professores de literatura são chatos?]. ela (alice braga), uma atriz formada que preferiu ser veterinária.

depois da briga (daquelas de casal, em que um fala que quer sair, o outro não quer, um diz que o outro não gosta mais do um, que diz que o outro tem outro e por aí vai), ele sai correndo ao encontro dela.

este 'caminho' até chegar à ela é o filme.

então fiquei pensando nas poesias que o filme mostra, nas cenas teatrais de 'as bacantes', do zé celso, nas briguinhas de amor, nas falas do marco ricca enquanto está no carro, na cidade de são paulo, tão caótica, nas relações, no que vale a pena e o que não vale, na morte...

nossa! talvez por isso eu não tenha gostado do filme logo de primeira. há muita confusão ali e num filme destes não tem como dizer apenas se gostou ou não. ou talvez porque 'a via láctea' destoa um pouco destes novos filmes brasileiros, que tendem a trabalhar com 'não-atores' e que se baseiam na naturalidade para dar impressão de uma coisa mais real.

outra coisa que pensei é o lance de são paulo não ser o cenário e sim uma personagem. ela fala por meio de seus faróis, das buzinas, do trânsito, das ruas.

e tem as citações literárias de dante, drummond, bandeira.

ok, parece que há um excesso de referências, o que acaba deixando o filme poluído, com aqueles cortes secos, a trilha sonora de música clássica entrando toda a hora, a musiquinha do tom e jerry...

tudo isso gera um certo transtorno, mas não desqüalifica o filme.

e se há confusão na trama é porque há também confusão existencial das personagens (o professor-escritor que cita teóricos e não consegue escrever, a atriz que foi ser veterinária, o menino que gosta da atriz e se declara à ela com textos shakespeareanos...)

pra finalizar este comentário caótico: me perguntaram se eu classificaria 'a via láctea' como um 'filme de arte' e eu disse que não.

mudei de idéia.

.

.

10 comentários:

disse...

Eu gosto do filme exatamente pelo caos que ele é. As pessoas conversam mas não se entendem. O filme basea-se em palavras mas mostra que na maioria das vezes elas não são suficientes, não conseguimos falar o que sentimos, parece que ainda não inventaram todas as necessárias. Acho que me identifiquei mais com o personagem do Marco Ricca do que com o da Alice Braga. Ele é inseguro e usa sua pseudo timidez como argumento.

Já escrevi demais. Que bom que mudou de opinião.

desalinhada disse...

Eu tava até me animando a ver o filme, mas ai vc escreveu referências. Eu detesto filmes com referências. Detesto mesmo. Blá!

E eu fui gostar de Encontros e Desencontros dois anos depois.

Anônimo disse...

Tudo que está escrito aí vi um "crítico crítico" defendendo a idéia que se pode falar bem de um filme ruim. Os argumentos eram os mesmos para o mesmo filme. Chato, enfadonho, péssima direção de atores (veja a diferença de interpretação da pequena Braga aqui e do filme Cidade Baixa, no filme, até seus offs são ruins), fotografia ruidosa, som mal trabalhado (com pretensão de ser bom). Trama óbvia, excesso de referências para compensar a escassez de idéias. Um filme ruim. Mas ficou bonito falar de filmes ruins. A arte do filme passa longe. Tenho simpatia pela diretora, que deu uma aula show na ELCV sobre direção. Neste ínterim, filmava Via Láctea. Algumas de suas preocupações está no filme, mas foram pessimamente solucionadas. Pena. Triste fim. Quanto a você gostar, você está certo, tem direito a opinião. Mas, você pagaria para assistir novamente? Duvido.

Edu

Anônimo disse...

Que horror, alguns erros crassos de portuguÊs. que horror, e nao dá para corrigir. ahahahha melhor orkut, nao comento mais aqui. corrija: algumas de suas preocupações ESTAO no filme.

Edu
correção

.lucas guedes disse...

eduardo, acho que você escreveu muito rapidamente e emocionado, por isso errou tanto no português. mas não tem problema, acho que entendi o que disse.

bom, se alice braga foi mal-dirigida aqui e bem dirigida em c.b., isso mostra que não é tão boa atriz assim. [ou vai me dizer que o mérito de 'a casa de alice' é meramente de fátima toledo?]quanto aos offs, vc tem razão, são péssimos. talvez em c.b. seja melhor porque ela quase não fala, não é verdade?

creio que o som não tem pretensão de ser bom e, sim, de ser diferente do que somos acostumados e tal.

se fosse um filme alemão ou francês, vc acharia bonito, não?

e se eu pagaria pra ver de novo? não sei. a maioria dos filmes bons que vi este ano, vi de graça (cão se dono, mutum, meu nome não é johnny, querô, etc.) e este paguei só um real...

Anônimo disse...

Sendo fiel ao que disse na última, continuarei a polêmica via email.
Mas já antecipo, desta vez a bordoada foi grande.

Uma amostra:

1) O filme é ruim.

2) No caso, defenda o filme e não ataque o polemista. Princípio primeiro do bom crítico (para não dizer, bom entendedor/debatedor, ser pensante etc)

Edu

.lucas guedes disse...

desculpe, em matéria de cinema, sou um ótimo espectador, não crítico.

ainda não consigo debater tecnicamente com um profissional da área como você.

esta é minha opinião e até agora seus argumentos não me conveceram do contrário.

mesmo assim, agradeço os comentários, se tem uma coisa que gosto é de polêmica.

e vc ficou preocupado com o preço do ingresso, vamos marcar pra ver filme novamente e depois discutir.

eu pago.

e não entenda isso como um ataque ao polemista.

menina da lua* disse...

Tb adoro polêmica.

engraçado como há frases escritas num 1º comentário, e, no 2º, exaaaaatamente o contrário.

Divertido, e bobo.

Por isso sou a favor da Fenomenologia! Que sabe compreender.

Mas, me chamam de "do-contra", "rebelde", e blá blá blá.
Mas eu nem ligo, pq sei que no fundo essas pessoas simplesmente pensam diferente de mim. E qual o problema disso? Cada um na sua... compreendendo o olhar do outro.

Graaaças à Deus ninguém é igual à ninguém. O mundo seria um saco se fossem todos iguais, e eu jamais iria querer ser Psicóloga.

Enfim...
São apenas duas pessoas diferentes, comentando a mesma coisas com olhares diferentes, pelo simples fato de serem diferentes.

O que não quer dizer que estão errados. Só são diferentes!
Entende a diferença?!

Sei que repito 'muito' a palavra "diferente", mas é pq gosto 'muito' dela.

Beijo e tchau.

rachel disse...

pior filme sobre são paulo ever. pouco aprofundamento das personagens, trilha sonora irritante, divagações que beiram ao ridículo... mas o que mais me incomodou foi a fotografia, não sei se foi coisa de amador ou mal gosto mesmo.

Anônimo disse...

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