Páginas

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

apenas o registro de um dia tipicamente atípico

assim como todas as músicas que gosto, esta também tem sua história. não cabe aqui explicação alguma, a letra nem é assim tão extraordinária como as outras do caetano, mas ainda assim, pra mim, é uma obra de arte.

fica aqui o registro desta poesia cantada, escrita e sentida, enquanto aguardo na varanda por esta chuva muito bem-vinda que findará a noite em são paulo.

e durmo tranquilo um sono que não é meu.

14 de fev de 2011
.

.



Um índio descerá de uma estrela colorida e brilhante
De uma estrela que virá numa velocidade estonteante
E pousará no coração do hemisfério sul, na América, num claro instante
Depois de exterminada a última nação indígena
E o espírito dos pássaros das fontes de água límpida
Mais avançado que a mais avançada das mais avançadas das tecnologias
Virá, impávido que nem Muhammed Ali, virá que eu vi
Apaixonadamente como Peri, virá que eu vi
Tranqüilo e infalível como Bruce Lee, virá que eu vi
O axé do afoxé, filhos de Ghandi, virá
Um índio preservado em pleno corpo físico
Em todo sólido, todo gás e todo líquido
Em átomos, palavras, alma, cor, em gesto e cheiro
Em sombra, em luz, em som magnífico
Num ponto equidistante entre o Atlântico e o Pacífico
Do objeto, sim, resplandecente descerá o índio
E as coisas que eu sei que ele dirá, fará, não sei dizer
Assim, de um modo explícito

E aquilo que nesse momento se revelará aos povos

Surpreenderá a todos, não por ser exótico
Mas pelo fato de poder ter sempre estado oculto
Quando terá sido o óbvio
.

Nenhum comentário: