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quinta-feira, 13 de março de 2008

o banheiro do papa

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ontem estive na pré-estréia do filme uruguaio o banheiro do papa, de césar charlone e enrique fernández, co-produção uruguaia (laroux), francesa (chaya) e brasileira (O2).

resumindo, é a história de um cara (ou de uma cidade inteira no uruguai, que faz divisa com o brasil) que tenta ganhar uma grana aproveitando a visita do papa. no caso do protagonista, ele constrói um banheiro para alugar aos visitantes.


gostei. não por ser simples ou por (tentar) ser filme de arte, mas por ser um filme bonito.


bonito porque trata de sonhos, esperança de melhora, amizade, amor. e bonito porque nada disso dá certo, como na vida real. o protagonista se ferra o filme todo (inclusive no final, pronto, falei...), mas está sempre tentando mudar. além disso, há várias surpresas e detalhes que tornam o filme cômico e trágico ao mesmo tempo.


digo 'tentar' ser filme de arte porque às vezes deu a impressão de ter seguido uma cartilha 'como fazer um filme que vai ganhar prêmios que não sejam oscar'.


* o protagonista é aquele cara simplezão que bebe com os amigos, trabalha (em contrabando de mercadorias no brasil, mas trabalha...) tem mulher e filha.


* a filha sonha em ser jornalista e se mudar pra capital, mas a mãe quer quer seja costureira.


* a mãe trabalha pra ajudar a família, é submissa e aparentemente feliz.

* ele tem amigos, mas tem um melhor amigo que sempre o ajuda. (gosto de filmes que tratam de amizade).


* cidade pequena, paisagens bonitas, sem exagero.


* crítica 'leve' à temas polêmicos (religião, influência da mídia...).


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ah, outra coisa que costumo levar em consideração - e que alguns acham que não tem nada a ver - é a história pessoal daqueles que fizeram o filme.


explico: um dos diretores, césar charlone, é uruguaio. vive no brasil há tempos e trabalha na O2, mas é uruguaio. o outro, o enrique, nasceu em melo, cidade onde se passa o filme. os personagens são baseados em vizinhos que ele tinha e na sua própria experiência de vida.


acho meio óbvio que toda obra de arte tenha influência do repertório do artista, mas são poucas as que deixam isso bem claro, como é o caso deste filme...


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3 comentários:

Juliana Cruz disse...

quero muito ver esse filme...mas em casa, largada na cama....

santa preguiça, não?

Anônimo disse...

eu sou daqueles que acha uma bobagem misturar biografia e obra. ok, na maior parte das vezes elas ajudam a compreender a obra em si, mas "ter" que achar sentido nessa conexão, ou mesmo se a obra só tiver sentido "nesta" conexão, mostra só que é uma "arte insuficiente", obra sem autonomia. E é sua independência da figura do autor e seu entorno que nos faz compreender shakespeare e homero embora não saibamos se existiram ou não. claro que se pode buscar na "história" os sentidos ocultos no que lá está, mas euzinho, que não sei nada da era elizabetana amo o Romeu e Julieta, o Rei Lear, o Macbeth. E quando a obra é realmente grande e "plena em si", os personagens se tornam maior que a vida, como é o caso do Hamlet, do Dom Quixote, do próprio Édipo. Essa sede por saber a autoria, quem fez o que e por que, e se é "autêntico" e é autêntico por isso, só cabe numa sociedade sob jugo do "eu", fixada no mérito do produtor, para atrelar valor (e pagar direitos) aos "criadores artistas", que nem sempre são criadores ou artistas.

Edu

.lucas guedes disse...

ju, é melhor ir ao cinema porque vai demorar pra sair em dvd...

eduardo, a questão não é ser bobagem ou não 'misturar biografia e obra'. essa mistura está lá, não há como negar. acredito sim que o autor seja independente, mas nesse caso não. é coincidência o roteirista ter nascido e morado na cidade de melo, no uruguai e tê-la retratado no cinema? é mera coincidência o diretor e roteirista ser uruguaio? isso não desqualifica o filme, é só uma observação.

sobre a sociedade do jugo do 'eu' concordo plenamente... mas é essa a sociedade em que vivemos... ou não?

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