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quinta-feira, 1 de julho de 2010

eu grito

eu grito pra minha mãe, pro meu pai e pra você.

grito pra mim mesmo, pro papa, pro bispo

pro céu, pro inferno, eu grito

grito porque não basta mais o choro, a vela, a fala,

o ódio, o consolo

o asco, o nojo,

eu grito pelo cansaço,

pelo ar que me falta e salta do nó

na garganta, o ar que engulo e volta

não há mais revolta, nada, nada

eu grito porque a esperança acaba

a luz apaga,

e meu grito - que a mim mesmo cala,

perde-se no ar

pois nem mesmo ele,

o grito,

basta.

.

e eu grito em vão.

.

3 comentários:

Edilson disse...

Adorei a poesia.Escrevi algo parecido com isso a um tempo atrás.Parabéns.Abraços querido.

Dani disse...

Isso me lembrou uma música do Legião Urbana "disseste que se tua voz tivesse força igual à imensa dor que sentes, teu grito acordaria não só a tua casa, mas a vizinhança inteira".

Achei lindo.

Eduardo Araújo disse...

Eu ando mudo.