não conheço a lógica das ruas, por isso sempre me perco. não me dou bem com placas, sentido obrigatório, obstáculos na pista. não pare, não siga, não nada. tudo é proibido.
não respeito semáforos depois das dez da noite, nem a faixa de pedestre, seja lá o horário que for. não vejo lombadas que brotam do nada embaixo do meu carro e tropeço nas calçadas, mesmo aquelas sem buracos.
não sei ler mapas, nem traçar rotas.
não me guio por bússola, nem gê-pê-ésse.
na contra-mão, dirigo em marcha ré.
engato a primeira e lembro da época em que as buzinas cantavam beep-beep.
abro o caminho e bloqueio os cruzamentos, mas dou passagem aos gentis e sorrio para os que me fecham. prefiro seguir a ser seguido e ando sempre com farol alto e pisca alerta ligado.
dou carona, mas não peço. se tem trânsito, eu agradeço.
triângulo, macaco, step, não tenho mais nada.
procuro o acostamento, sem combustível.
por favor, uma informação:
como faço pra chegar em lugar nenhum?
deixo andar em ponto morto e não ultrapasso pela direita.
e paro em mim,
porque eu sou meu próprio estacionamento.
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8 comentários:
deveria ser assim com todo mundo.
sermos nosso próprio estacionamento.
buscamos tanto descanso em outros.
gostei da sua não-poesia.
beijo.
por isso ando de onibus.
good to read you.
relato .guedes:
"e paro em mim,
porque eu sou meu próprio estacionamento"
que lindo!
Indentifiquei-me completamente com seu texto. Ainda não dirijo, mas quando isso acontecer na minha vida creio que serei igual ao que foi escrito por você.
"e paro em mim,
porque eu sou meu próprio estacionamento." Esse final foi maravilhoso.
nossa, vc está escrevendo deliciosamente bem vai ter que escrever um livro mesmo. Esse de hoje tá uma beleza sem fim!
Super me identifiquei (really)
hum!
Que inspiração hein!!
lálá....escreve muito, muito, muito
mas muito mesmo...assim...na beleza pura, pura, pura!
estou caminhando quase parando...mas só quase ainda não estacionei (em mim)...
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