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quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

cordilheira, de daniel galera [primeiras impressões]

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o exemplar das livrarias
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cordilheira, de daniel galera, é o primeiro lançamento da coleção amores expressos, projeto que tinha por objetivo mandar um escritor para algum canto do mundo e ele tinha que voltar com alguma história de amor.
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no caso do galera, o canto do mundo foi buenos aires e a história dele está uma delícia. é narrado por uma escritora que vai lançar seu livro na argentina, conhece um 'fã' malucão e por aí vai. ainda não li todo, estou no comecinho, na parte em que o fã a leva pra dançar tango numa milonga, mas está uma viagem muito bacana.
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cansei um pouco das primeiras páginas, com descrições excessivas de alguns personagens, fatos, objetos, mas aos poucos vou descobrindo umas passagens como estas:
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"e então o público foi convidado a fazer perguntas (...)
- anita, por que magnólia empurra seu amante do penhasco no final do romance?
foi como se a lança de um selvagem escondido no mato me atravessasse o peito de uma hora pra outra. ergui a cabeça e vi que o microfone estava na mão do sujeito que me encarava antes."
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"tivemos uma daquelas conversas remotas horríveis em que cada mensagem instantânea parece mais insuficiente que a anterior para comunicar o que de fato queremos dizer. comecei fingindo estar alegre e ele fingindo tristeza. logo ficou claro que eu estava mal e ele bem. eu achava que ele também devia estar mal e ele achava que eu também devia estar bem, até que fiz a besteira de perguntar se ele já tinha trepado com alguma putinha e ele fez a besteira de ceder à provocação..."
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"houve um momento, uns dois meses atrás, em que vi que tudo estava errado. foi repentino, como se alguém tivesse acionado um interruptor de luz. o que as pessoas ao meu redor esperavam de mim não tinha nada a ver com o que eu queria, e o que eu queria era visto por elas como capricho ou alucinação passageira."
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ainda não dá pra falar muito sobre o livro, mas as primeiras impressões são estas: um metalivro; uma mulher que quer ser mãe e encontra no marido um pai; uma história de amor que vai se desmanchando, assim como o gelo de uma cordilheira andina ou como o título do livro, impresso de forma a apagar-se com seu manuseio.
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o meu exemplar quase apagado
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3 comentários:

Tatiana disse...

Wow

Simplesmente me encantei com a idéia desse projeto.
E esse "Cordilheira" parece ser encantador. E a sacada do título se apagar, para dar a idéia do amor que vai se desmanchando, é sublime.
Adoro quando os homens escrevem como mulheres, aqui, no caso, com uma narradora mulher.

tatilazz.zip.net
mulheresdeathenas.blogspot.com

Lubi disse...

gosto do Galera.
mas ainda não li esse livro. logo, não posso opinar.
achei o 'amores expressos' um projeto bacana.
e achei bacana também a idéia da capa se apagar.

beijo.

Eduardo Araújo Vaz disse...

Quero ler. Mas ainda estou impactado com o livro SETE NOITES, de Bernardo Carvalho. Literatura para gente grande, livro que eu classifico como "Indianismo seco". Depois empresto, mas já aviso, sem facilidade dos modernos. Agora vou para o Mutarelli e para o Filho Eterno. Pronto para odiar este último.

Abço