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quinta-feira, 27 de março de 2008

marcelo mirisola


enquanto isso, no meu email...

"Otto Maria Carpeaux, que não tinha nem diploma primário, hoje seria descartado em detrimento de um chato qualquer da USP, com os devidos mestrados e doutorados carimbados no rodapé do texto." marcelo mirisola


não, não, talvez tenha me expressado errado. não estou me comparando ao marcelo mirisola, longe disso. o que eu te disse aquela hora foi que me identifiquei sim com o último artigo do cara lá no congresso em foco, mas só por alguns motivos. assim como eu, ele acha que nada que diz respeito à arte e cultura é mera coincidência, quando se trata de patrocínio, prêmios e tal. não sei se chegou a ler o que escrevi sobre o banheiro do papa lá no meu blogue. mas já que tocou no assunto, você leu o que ele escreveu sobre o lance do walter salles? e depois sobre o patrocínio dos bancos e da petrobrás? veja:


"Por falar em Unibanco: penso que todo “produto cultural” (filme, revista, festival de literatura, etc, etc.) que os irmãos Salles patrocinam, produzem, dirigem, enfim, qualquer “produto” que, direta ou indiretamente, tenha a chancela deles, está – no mínimo – sob suspeição. A mesma coisa vale para o Itaú Cultural e afins."


não sou o mirisola e confesso que fico com um pé atrás quando falo disso. exemplo: sabe aquele projeto do itaú, o rumos? no caso de literatura, eles selecionaram, mediante aceitação de projetos enviados ano passado, uns 15, 16 caras pra escreverem um ensaio sobre um determinado tema da literatura, contendo 15 páginas. estão pagando 850 r$ mensais, passagem e hospedagem para participação de eventos, todos os livros que precisarem para o trabalho e no final, em outubro, 1800 r$ pelos direitos de publicação da obra, além de outros benefícios.


você acha isso errado? acha que os altos juros cobrados pelos bancos não podem 'financiar' a cultura? ou pensa que isso é só uma desculpa dos banqueiros pra amenizar a imagem dos bancos?


ok, concordo que há 'abusos bancários', mas você não gostaria de passar um ano escrevendo um ensaio de 15 páginas? eu gostaria, tanto é que me inscrevi, mas não fui selecionado... e apóio sim este tipo de programa, acho até que deveria existir mais e se puder, vou tentar novamente. não pela grana, pois este acaba sendo um trabalho como qualquer outro, mas por receber para fazer uma coisa tão especial que é escrever (vale lembrar que estamos no brasil...)


e, ainda sobre a questão dos bancos, hoje em dia todos têm alguma ligação com cultura. o itaú é um dos pioneiros, mas tem o hsbc (que recentemente adquiriu o tom brasil, que agora chama-se hsbc brasil), o hsbc belas artes, o espaço unibanco, o caixa cultural, o centro cultural banco do brasil. e o que dizer do cine bombril, cine tam, cine ig, cine uol, credicard hall, citibank hall, etc... vamos reclamar que estas empresas estão comprando salas de espetáculo e de cinema? será que elas mercantilizam a cultura? ou a cultura já foi mercantilizada há muito? é este um fenômeno recente?


cara, cada um pode achar qualquer coisa, mas não tenho essas respostas e acho que acabei misturando um pouco os assuntos. creio que entendeu agora que a questão não é tão simples assim, não adianta só meter o pau nos bancos.


sobre o que você comentou... que ele está se sentindo enciumado e é um escritor frustrado, não sei. vamos primeiro lê-lo, depois a gente discute. enquanto isso vá lá no artigo, que vai muito além dessas discussões e eu já escrevi demais.

outras citações do mirisola:


"A Petrobras concede bolsas para cineastas, músicos, teatrólogos, artistas plásticos, etc. No caso dos escritores, exige planilha. Fico pensando: como teria sido o “projeto” de Kafka ao escrever Carta ao Pai? Foder o Pai, naturalmente. Queria ver como é que Kafka se explicaria à Petrobras. Se não fizer planilha, não tem bolsa."


"Jack Kerouac é a próxima vitima de Walter Salles. Ele vai adaptar On the road. Aposto que vai fazer a mesma coisa que fez com Diários de motocicleta (guardadas as diferenças entre um livro e outro), isto é, vai estragar tudo."
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7 comentários:

Anônimo disse...

acho uma p. sacanagem o que os bancos fazem... e acho também que esses espaços culturais que eles abrem são apenas fachada.

alex

[denise abramo] disse...

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em primeiro lugar os bancos deveriam ser estatais, e não privados. os lucros desses caras são indecentes, e é brochante pensar que precisamos recorrer à esses espaços para ver um bom filminho francês. obviamente isso faz parte de toda uma estratégia de marketing, pois a imagem dos bancos sempre foi uma bosta (banqueiro sempre foi odiado desde que existem os bancos) e com o boom financista dos anos 80 e 90, as coisas precisavam mudar um pouco, senão ia explodir. nos anos 70 não existia centro cultural nenhum nem projetinhos sociais bancados por banco. isso é muito recente e muito oportunista também. enqto os trabalhadores não se organizam para dirigir racionalmte a sociedade (em benefício de todos), vamos indo à estes lugares se as entradas forem francas ou pagáveis, sem deixar é claro de questionar as coisas. [acho]

disse...

Acho que tudo é questionável, principalmente quando o assunto é banco.

Ceila Santos disse...

Lucas, obrigada pela visita no Metamorfose - que era Freelancer - o profissional que rala no mês passado. Ou seja, só falo de jornalismo. Gostei muito deste blog aqui ( acho que vc ganha de mim - to com cinco blogs, mas tres são coletivos e um deles fecha semana que vem)...
Sobre o tema em questão, isso é complicadoooooooooooooo, mas vamos lá:
eu não entendo nada de marketing cultural ou lei rouanet, mas dizem que a dinâmica dos incentivos faz com que o mgoverno pague mais pra patrocinador que vice-versa ( pelo menos é o que entendo das críticas) OK HÁ DISTORÇÃO E POR CAUSA DISSO VC NÃO APOIA OS PROJETOS? não! não sou hipócrita: nunca passei fome, mas se fizesse só o que amo, passaria. a gente depende das migalhas desse povo endinheirado corproativo, mas que não devia ser migalhas não devia, né! podia pagar no mínimo 1,5 mil por mes ao inves de 800. ou pagar mais gente com 800...acho tudo muito pouco, vejo que cresce o marketing cultural, mas precisa-se falar muito sobre isso na web, reclamar sempre desse absurdo!

Juliana Cruz disse...

bancos...humpf

Juliana Cruz disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
.lucas guedes disse...

sim, este é um fenômeno recente e tem crescido nos últimos 15, 20 anos... os bancos poderiam ser estatais, mas aí seria oooutra história... hj acho isso praticamente impossível...

também tem o lance da isenção de impostos, certo? ou seja, lucro pro banco sempre.

maaaaaaaas...

aproveitemos estes espaços, oras! e participemos de projetos, pq não?!

e esperemos pra ver o resultado de 'on the road', do kerouac...

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