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sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

poema-não-poema


um dos poemas mais bonitos que li.
tão simples que nem parece poema.
tão complexo que nem parece simples.
tão sonoro que parece música.
e foi feito pra mim.


[antes de mais nada, isto não é um poema, é um rol emotivo de alguém que evita derramamentos]


esse menino

fantasiando de ser adulto triste
e com algum talento real para amargura

(que eu espero sinceramente que não desenvolva)


meu ouvinte silencioso
meu cometa
meu eclipse
meu interregno
meu animal de estimaçao não domesticado


pessoa sem fórmula
e que se lança no mundo com falsa indiferença
e querendo viver mais
(sem saber que a vida é precária, tao aquém das nossas carências)
que me espera com o perdão da minha vida cheia de atrasos
(por que eu sofro de angustia e as exatidões me desconsertam)
que tolera essas minhas ausências terminais


e me faz feliz

(quase sempre)
porque desconfio das alegrias instantâneas
é uma foto polaroide
uma nova e ansiada aquisição que nos faz feliz
e mente com delicadeza que eu acabo acreditando
mas leva a sério mais do que deveria o que sou ou desejo ser


no fim das contas,
um ganho enorme nesta minha vida provisória
e desconfio

que deveria ter chegado antes

.

.

.

7 comentários:

Michele Prado disse...

lindo!

André disse...

Queria ser 'esse menino'. Quem dera eu ser um eclipse para alguém...

Juliana Cruz disse...

pq todo mundo (ou boa parte dele) tem tanta dificuldade em confiar que a felicidade pode ser real E instantanea? que nao PRECISA ser "clandestina", tampouco efêmera...
aiai....desse jeito meu otimismo (ou o que sobrou dele) vai acabar escoando pelo ralo junto com a água do banho.....

:: disse...

as alegrias instantâneas são as mais legais, não há de que desconfiar.
!

O Realívoro disse...

uma foto polar�ide... muito bonito!

desalinhada disse...

ui

Stephanie disse...

nossa, Lucas, que lindo.
é feliz, caótico e vertiginoso ganhar um poema assim.

(suspiro)
=)