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quinta-feira, 29 de novembro de 2007

antes de vitor hugo nascer

[eu hoje joguei tanta coisa fora... é assim aquela música dos paralamas do sucesso, né? se não for, tudo bem, mas resolvi fazer a limpa nos armários. o problema é que não consigo jogar muita coisa. principalmente papel. ainda bem, porque eu achei umas coisas interessantes, redações, anotações, acho isso um barato. o texto abaixo foi um exercício em que tinha de escrever sobre um assunto dramático. eu escrevi e o professor, o jornalista valmir santos, da folha de s. paulo fez umas anotações e conversamos muito sobre a construção da narrativa, do cenário, as personagens]


anotação do valmir


[agora lembrei que foi por isso que me interessei por caio fernando de abreu e li um conto dele chamado aqueles dois, mas essa é outra história]

[e sim, eu sou daqueles alunos que ficam depois da aula discutindo com professores, querendo saber mais e mais e mais de tudo]


[então fizemos uma grande análise do conto e o engraçado que percebemos é que o drama deste texto não está na violência em si, nem na tragédia da garota, mas sim na última frase, que revela algo que ainda está por vir]

[há também alguns erros e alguns 'vícios de estilo', segundo o valmir, como algumas repetições de pronomes, aparentemente desnecessárias, mas reproduzo exatamente da forma como foi escrito]

[14 de abril de 2005]


a vida de daniele nunca mais seria a mesma depois daquela noite. negou a carona que seu chefe lhe oferecera, por achar que ele estava querendo algo mais e foi de ônibus até a estação. durante o dia, algumas de suas falas dirigidas a ela pareciam sutis cantadas. com pressa, preferiu cortar caminho para sua casa. o dia foi tão estressante que ela só queria chegar em casa, tomar banho e dormir. já passava das onze horas e o movimento das ruas era mínimo. ao virar a esquina do beco que dava acesso a sua rua, deu de cara com emerson, seu ex-namorado. fazia três meses que não se viam e sempre que podia, daniele o evitava. não atendia suas ligações, nem retornava as dezenas de recados deixados em sua secretária eletrônica. depois de tantas traições, ela não queria mais saber de dar chances. ele parecia nervoso, porém não falava nada, apenas a acompanhava. ela começou a andar mais rápido, mas ele perseguia seus passos. ela parou e perguntou o que ele queria. sem dizer uma palavra, agarrou-a pelos cabelos e golpeou-a com um murro no rosto. ela caiu enquanto se debatia, mas emerson conseguiu dominá-la, e estuprou-a. aos gritos, ela tentava se livrar do corpo de emerson, mas parecia não adiantar nada. foi quando chegou o sr. álvaro, chefe de daniele, golpeando emerson com chutes e murros. apavorada, daniele começou a correr, enquanto álvaro sacou a arma e disparou mais de dez tiros contra o estuprador. depois desta noite trágica, o contato entre daniele e álvaro se tornou cada vez mais freqüente, sobretudo três meses depois, quando ela descobriu que estava grávida – de emerson. apesar dos traumas e tristezas, álvaro e daniele se casaram antes de vitor hugo nascer.
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6 comentários:

disse...

Adorei o conto. Publique mais!

menina da lua* disse...

Quero ser Psicóloga logo...

menina da lua* disse...

Quero ser Psicóloga logo...

.lucas guedes disse...

valeu leticia, vou postar outros aqui...

menina, pq quer ser psicóloga logo?

Michele Prado disse...

Valmir mestre para todo sempre. Parabéns pelo conto! Conseguiu ser dramático sem ser piegas. Muito bom!

Juliana Cruz disse...

"em todo lugar há tesouros"