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terça-feira, 24 de julho de 2007

as leis de família




[assisti ontem, na festa de abertura do festival de cinema latino americano. filme simples, bonito, nos leva a (re) pensar nossa condição enquanto parte de uma família. as tais leis familiares que não são ditas ou ditas pelo olhar, ditas por gestos, pelo não-olhar. leis que perpassam gerações e, mesmo sem percebermos, herdamos dos pais que herdaram dos avós e que serão herdadas pelos filhos... o filme é argentino, dirigido por daniel burman. estréia sexta, dia 27/7]







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segunda-feira, 23 de julho de 2007

sobre eventos inúteis

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alguns dos eventos recentes e inúteis que, a cada dia, tem apenas alimentado a hipocrisia de nossa sociedade:
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são paulo fashion week e todos os desfiles de moda,
copa do mundo,
olimpíadas,
eleições,
manifestações políticas na avenida paulista,
marcha pra jesus,
visita do bush e do papa,
carnaval,
parada gay,
concurso de miss,
pan,
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hoje, acordei com vergonha de ser brasileiro.
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sexta-feira, 20 de julho de 2007

[27] - medea, la extranjera - 19 de julho



medea - la extranjera


um espetáculo. além de toda pompa do theatro são pedro (1917), ver uma tragédia grega em espanhol é uma experiência fantástica. o grupo atalaya existe há 25 anos e, segundo informações de seu site, mistura diversas linguagens: o surrealismo de lorca, o futurismo de maiakovski, o expressionismo de heiner muller, o grotesco cruel de valle-inclán e o teatro épico de brecht. o resultado é bom. ah, o diretor, ricardo iniesta disse que também tem influência no cinema, sobretudo de pasolini e lars von trier.


legal foi ouvir cantos étnicos da armênia, grécia, arábia, nepal, tibet, india, indonésia...


legal também ver meu amigo, o max, com cara de "ahn, cadê a legenda?". mas ele entendeu tudinho e, no final, analisou a peça com detalhes de quem prestou bem atenção.


em são paulo fica em cartaz somente até domingo, dia 22, no theatro são pedro. rua barra funda, 171 - 3667-0499.





SINOPSIS DE LA OBRA


Medea escapa de la Cólquide fascinada por Jasón y los argonautas, que llegaron hasta allí en busca del vellocino de oro. La apariencia del héroe griego seduce a la hechicera, que huye con él, pero en Corinto choca con el desprecio, la humillación y la segregación racial. Jasón, en su afán por escalar posiciones, repudia a Medea y se compromete con Glauce, hija de Creonte, soberano de Corinto. Ante el abandono, la hechicera vuelve a sus orígenes y recupere su magia.Sus acciones criminales hacia Glauce y hacia sus propios hijos -fruto de su traicionado enlace con Jasón- no serán por venganza ni por pasión, sino para escapar de un mundo que ya no soporta. La traición, el exilio, la guerra, el amor y la muerte marcan esta obra en lo carnal y en lo emocional.

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quinta-feira, 19 de julho de 2007

zuenir ventura no barco



terminou ontem a série de encontros com escritores promovida pelo barco do virgílio.


passaram por lá antonio cícero, moacyr scliar, sérgio sant'anna e, finalmente, zuenir ventura, intermediados por marcelino freire. aliás, estes encontros fazem parte de um 'curso' de criação literária oferecido pelo barco, cujo 'mestre' é o marcelino. a próxima turma começa em 13 de agosto e já estão confirmados jorge mautner, livia garcia-roza e luis fernando veríssimo. ontem, com zuenir ventura, só posso dizer que foi uma aula de literatura e jornalismo. e um dia especial.

foi bom saber, por exemplo, que o zuenir começou a carreira de jornalista com 29 anos, que se perdeu anteontem em plena rua harmonia, na vila madalena, onde acabara de ser deixado por fernando henrique cardoso após uma entrevista, que foi aluno de manuel bandeira (que não era lá o melhor professor...) e de alceu amoroso lima (um professor-ator), entre outras coisas, que só quem esteve lá pode dizer...

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terça-feira, 17 de julho de 2007

(ir) real


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questão de percepção, por talita guedes

[o texto abaixo é da estudante de psicologia talita guedes. ela ama a lua. e também a psicologia. e a fenomenologia, claro. sendo assim, não é preciso dizer que odeia psicanálise... eu sempre soube que ela era inteligente, afinal, é minha irmã, mas não sabia que escrevia tão bem. seu principal defeito é me ter como modelo, mas isso passa...]


Questão de percepção

Vocês já pararam pra pensar sobre do que são feitos os pensamentos?... O que compõe a Consciência? Mente? Ser? Alma? Espírito? Corpo?... se é que realmente eles existem... E qual resposta seria a correta? se é que existe uma resposta... que dirá correta! Essas indagações são comuns aos estudantes de psicologia, como eu, apaixonada pelas pessoas, pelas relações, pelo funcionalismo existente entre corpo e mente, pelas dúvidas sobre o universo, pela Lua e pelos inúmeros, diferentes e complicados "tipos" de pessoas...

Algumas teorias preferem explicar... outras, optam por interpretar... eu, resolvi usar a teoria que compreende. Compreender no sentido literal da palavra, abranger, incluir, que conter em si, perceber. Para tanto, escolhi a fenomenologia! A fenomenologia é um método, criado por Edmund Gustav Albrecht Husserl, que propõe a extinção da separação entre "sujeito" e "objeto", opondo-se ao pensamento positivista do século XIX. O método fenomenológico se define como uma volta às coisas mesmas, aos fenômenos, àquilo que aparece à consciência, que se dá como objeto intencional. Seu objetivo é chegar ao conteúdo inteligível e ideal dos fenômenos, captado de forma imediata.

As essências ou significações são objetos visados de certa maneira pelos atos intencionais da consciência. As coisas, segundo Husserl, caracterizam-se pelo seu inacabamento, pela possibilidade de sempre serem visadas por atos intencionais novos, da consciência, que as enriquecem e as modificam. (Wikipédia).

Cada um de nós percebe o mundo de uma maneira diferente e, por isso, é essencial que exista a compreensão.

Atualmente, as pessoas deixaram de ser indivíduos, tornando-se individualistas. Escravos de seus próprios desejos, ambições e envolvidos de tal maneira com as questões capitalistas, que se esqueceram que são seres humanos convivendo com outros seres humanos. A relação intencional deveria ser mais valorizada, pois um, não é sem o outro (e vice-versa). O ser humano vive entre suas angústias e está cada dia mais propenso à desenvolver uma série de psicopatologias. Tudo isso, por não ser compreendido! Por quê alguém "deve" ser rico, "deve" ser bonito de acordo com os padrões impostos, "deve" ser popular...? As únicas coisas que as pessoas "devem" ser, é felizes e compreendidas!

Quando comecei a estudar psicologia, entrei em crise, porque não queria que o louco virasse normal, e fosse inserido na sociedade. Eu queria que ele continuasse louco, porém feliz! Não queria explicar porque ele era louco, nem interpretá-lo realizando um diagnóstico. Queria simplesmente contribuir para seu bem-estar psíquico. Ninguém é igual à ninguém, e não é por ser diferente, que se é errado. Claro, desde que sua percepção não cause perigo para si próprio e o outro. Aprendamos compreender o outro, para assim nos tornarmos de fato seres humanos. Aceitar as outras idéias, estar abertos à novos olhares, manter relações intencionais com o próximo... entendendo o outro, do modo que é, sem interpretações, ou explicações.
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domingo, 15 de julho de 2007

deixei a religião de lado


[no trem, sábado, 23h46]

_márcia, te contei que deixei a religião de lado?
_nem sabia que tinha religião.
_eu tinha, era evangélico, lembra?
_ah, eu nunca fui em igreja.
_eu ía, mas depois do que fizeram com minha avó... nunca mais!
_o que aconteceu?
_sabe quantas pessoas da igreja foram em seu velório? seis! numa igreja de mil membros! agora, estão vindo atrás de mim, me ligando. antes não faziam nada disso.

agora eu quero é breja pra esquecer as idiotices que o pastor falava.

é... deixei mesmo a religião de lado.

_ah, eu nunca fui em igreja.
_ eu ía...
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sexta-feira, 13 de julho de 2007

muito mais que simples imagens

[sabe aquela história de que uma imagem vale mais que mil palavras? então. é isso que a jovem fotógrafa anna carolina negri faz. a conheci num casamento de amigos em comum e nos tornamos amigos de orkut. ela fotografa pessoas, janelas, xícaras, paisagens, prédios, tudo. a diferença é que, por causa de seu talento e criatividade, consegue mostrar mais que uma simples imagem. entre outras coisas, já teve fotos publicadas em jornais famosos e numa mostra na casa do olhar, com 'artistas' do abc paulista. abaixo, uma pequena demonstração de sua arte. para ver outras, clique aqui e entre em seu blogue, que também está linkado ao lado.]












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quinta-feira, 12 de julho de 2007

arte alternativa?



bem interessante a programação de eventos da academia brasileira de letras para o segundo semestre deste ano. estamos tão acostumados a criticar o tradicional que, às vezes, esquecemos de valorizar os clássicões da literatura, aqueles que são considerados cânones e aqueles que são fenômenos de vendas. na flap, por exemplo, o nome de paulo coelho só não foi mais pronunciado que o de marcelino freire e sempre com conotação negativa, como se sua literatura fosse ‘menor’. o mesmo acontece no cinema, no teatro e em todas as artes. costumamos reverenciar, por exemplo, qualquer filme francês que estréia em nossas salas. é cult. acreditamos serem superiores ou então alternativos. ok, estes filmes são alternativos aos holliwoodianos, dominadores do mercado cinematográfico. mas é isso. um mercado. amelie poulain é um ótimo filme, mas é comercial, oras. no teatro adoramos meter o pau nas super-produções. mas será que aquilo não é arte também? só porque tem artistas da globo, não é teatro? como um amigo do meio disse uma vez:

‘todo artista é alternativo até receber um convite’

será que escritores alternativos assim se consideram por não terem sido aceitos em grandes editoras, porque não venderam tanto quanto paulo coelho, porque não foram convidados a participar da flip? é escolha ou circunstância? alternativa é a forma, o conteúdo, o princípio, o valor, o resultado? é possível um filme alternativo com patrocínio de empresas privadas ou do governo? por que ‘cão sem dono’ do beto brant está em apenas uma sala no mundo todo, enquanto harry potter estréia em 750 só no brasil? bom, o tema é amplo demais e merece mais cuidado. eu só queria dizer que achei bacana a programação da abl.
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quarta-feira, 11 de julho de 2007

festival de cinema latino-americano

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começa dia 23/7 o segundo festival de cinema latino-americano, em são paulo. além dos mais de cem filmes – entre clássicos e inéditos, haverá debate-papo com uns bambas do cinema latino, como o diretor de fotografia pedro farkas (desmundo, zuzu angel, não por acaso), karin aïnouz (madame satã, o céu de suely), a atriz mechicana vanessa bauche, de amores perros e outros.


programação completa aqui.


segundo festival de cinema latino-americano de são paulo


23 a 29 de julho, em diversos horários

memorial da américa latina - av auro s. de moura andrade 664, barra funda
(11) 3823.4600

cinesesc - rua augusta 2075, cerqueira cesar
(11) 3082.0213

sala cinemateca - largo senador raul cardoso 207, vila mariana
(11) 5084.2177


grátis.

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terça-feira, 10 de julho de 2007

fim de semana em curitiba

[roubei estas fotos na internet porque não levei câmera. já tinha estado em curitba há um ano, no festival internacional de teatro, cujas fotos publicarei esta semana. é uma cidade grande, com todos os problemas de cidades grandes. mesmo assim, é linda demais, cheia de parques, praças, árvores, ruas largas, pessoas bonitas. na casa lilás, que fica ali no centrinho, tem um bolo de chocolate muito bom. aliás, a casa lilás é um espacinho bem legal, que aparentemente não tem nada interessante. mas tem. tem artesanato, livros, um quintal enorme nos fundos e uns funcionários simpáticos que sabem quase tudo sobre a cidade, inclusive sobre o dalton trevisan, escritor-mito daquela cidade. só não sabiam onde ficava a casa mal-assombrada dele. quer dizer, pela cara que o menino fez quando eu perguntei, percebi que ele sabia, mas, para o meu próprio bem, preferiu não mostrar...]
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sexta-feira, 6 de julho de 2007

a imensurabilidade do vão

desconheço a medida exata do vão que separa o resto
de mim.

imensurável o vão,
desconhecida a medida,
o que me resta agora é
fechar os olhos e,
leve,
repousar à espera de quem
(quem?)
destruirá a barreira oca do incômodo,
discorrerá sobre a filosofia medíocre do abandono,
percorrerá as linhas finas da memória opaca e,
sem mais,
nem menos,
ocupará o espaço vago que está ali,
à espreita,
entre mim e o vão,
entre o vão e o outro,
entre mim e o vão e o outro,
pronto para,
pesado,
abrir meus olhos e,
o que me resta agora é
conhecer a medida exata do vão imensurável,
e nada mais.
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.lucas guedes
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quinta-feira, 5 de julho de 2007

“De perto ninguém cheira tão bem”


[segue texto da jornalista fabiane espírito santo, escrito especialmente para este blogue. ela também é apaixonada por teatro e escreveu um livro sobre o jornal 'o sarrafo', periódico dedicado a debater questões do real papel do teatro e tal...]


"De perto ninguém cheira tão bem"

por fabiane espírito santo

Certa vez ouvi essa frase em uma peça de teatro (que já não me lembro qual foi) e com ela na cabeça, passei a ruminar seus possíveis significados e desdobramentos. Lembrei-me das experiências vividas, as quais senti o quanto a realidade é implacável. Sem ilusões, tudo é apenas o que é. Uma delas foi o êxtase e a decepção da descoberta de um universo mágico, capaz de por em xeque todos os moralismos, demagogias. Lacuna onde tudo pode conjugar em seus palcos. Tudo cabe, com inteligência e criatividade para arriscar: O teatro.

Grandes cabeças espiram seus ideais de liberdade de expressão, igualdade e democratização da cultura, fim do elitismo. Discurso bonito! Como mero público, de tanto preencher um pequeno espaço nas platéias e de tanto insistir para me aproximar da arte que me encanta, passei a dialogar mais de perto com esse universo, foi aí que senti um arrepio. Frases como: "Não devemos abrir debates após as apresentações, pois o público não tem nada a ver, a grande maioria não entende o que se passa no palco...Os nossos públicos são os amigos pertencente à própria classe teatral...", revelam o quanto o público é deixado à margem.

Contradição?

Não é que percebi a demagogia plantada no discurso dos mestres! Por vezes tive a sensação de adentrar em um meio restrito, apenas para os escolhidos. Precisam do público, mas o querem longe? Será que é isso mesmo? Em outro episódio, não consegui ver única apresentação de O Nome do Sujeito, vi apenas a classe teatral, pouco a pouco, ao longo de duas horas, entrando com seus convites. Eu e outras tantas ficamos de fora, éramos apenas pessoas, público pagante.

Elitismo?? Sim, há muito no meio teatral.

Exceções? Sim, há.

Salve aqueles que têm coragem de quebrar o protocolo para abrir a roda, colocando as mesinhas na calçada de seu teatrinho e assim construir uma ponte entre classe e mero público.

Observem, selecionem, tirem as próprias conclusões.

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terça-feira, 3 de julho de 2007

à minha amiga ivani


saudades todas de ivani de oliveira, a amiga que, há 10 anos (quando eu tinha 16 e ela 23) me influenciou e incentivou a fazer um monte de coisa, como escrever poesia. naquela época escrevi mais de 20. ela escrevia muitas e me mandava pelo correio. não tínhamos internet. ela escrevia - à mão - cartas com 10, 12, 15 páginas. e não era uma carta por ano, nem por mês. era uma por semana. me contava tudo. eu respondia. ela era de belém do pará. foi com ela que aprendi a gostar do radiohead, secos e molhados, chico buarque, beethoven, drummond. ela estudava direito na ufpa, mas cantava numa banda chamada nonsense. sofreu um acidente de carro, quase morreu. com o braço engessado, passou a me escrever usando a máquina, datilografando letra por letra com o dedo indicador. ela me mandava as canções que compunha e eu, do lado de cá, fazia a música, a melodia, o arranjo. quer dizer, no meu imaginário. no dia do meu aniversário, ela escreveu uma música pra mim. chama-se 11 de janeiro e começa assim:

pra você que nasce, pra você que cresce, pra você que sobe e não desce... eu vou é decolar também.

ah! foi por causa dela também que passei a torcer para o vasco, mas isso não tem importância. então, em um dia de natal, recebi uma ligação dela. tinhamos combinado que só nos corresponderíamos por carta. mas ela conseguiu meu telefone com uma tia que trabalhava na telesp ou coisa assim. foi um dos meus melhores presentes até hoje. ela tinha sotaque carioca. eu pouco falava. ela cantarolou sua nova música. eu chorei. ela tinha cabelo curto. disso eu fiquei sabendo quando me mandou uma foto. ela era parecida com a elis. depois ela disse que estava com alguns problemas, ia se mudar. mandei cartas e, quando acordava, a primeira coisa que fazia era correr para a caixa de correio e ver se tinha correspondência dela. consegui seu telefone, mas disseram que, realmente, ela tinha se mudado, mas não tinham o endereço. desde então, não tenho notícias, mas lembro dela todos os dias e torço para que esteja bem.
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segunda-feira, 2 de julho de 2007

satyros, vestido de noiva


enganado pelos satyros

quando soube que os satyros apresentariam, junto com a norma bengell, uma leitura de vestido de noiva, de nelson rodrigues, fiquei curioso e pensei cá comigo: nelson e satyros tem tudo a ver. eles deviam era fazer uma peça de nelson, não só uma leitura... na verdade eram só algumas cenas e a apresentação faz parte de um projeto bacana do itaú cultural, algo como um complemento à enciclopédia de teatro deles. então fui, sábado, no intervalo da flap, (que acontecia ali ao lado, na casa das rosas) ver a tal leitura no itaú. quando cheguei não vi aquelas cadeiras, uma ao lado da outra, como de costume em leituras. o cenário estava montado, a iluminação, música... tudo pronto para o espetáculo. sim, foi um espetáculo. a única diferença é que estavam com o texto à mão (e penso que talvez nem precisassem). enfim, foi um momento especial, emocionante. norma, alberto guzik, ivam. ivam falando das primas... ivam dançando com cleo de páris, ivam mostrando que é um dos melhores atores deste país. tudo muito bonito. e saí de lá me sentindo enganado, pois o que vi foi muito mais que uma leitura.


mais sobre o projeto, aqui.

sexta-feira, 29 de junho de 2007

invisível dj, ira!



ontem, na cinemateca, teve uma exibição especial do documentário 'invisível dj: a gravação do disco', dirigido por ricardo laganaro. o disco a que se refere o título é o mais novo do grupo ira!, que recentemente completou 25 anos de carreira.

como o próprio laganaro disse ontem, não há, no brasil, muitos filmes musicais que documentam processos de criação. a maioria mostra apenas os bastidores, artistas escovando os dentes, trocando de roupa e sobra pouco espaço para coisas interessantes como, por exemplo, o que passou pela cabeça do compositor quando criou tal letra de canção. ou então, o porquê deste arranjo e não aquele.

e isso o invisível dj traz. além de vermos os componentes da banda explicando seus pontos de vista sobre cada música, podemos ver isso, como se estivéssemos naquele estúdio junto com eles.

obs.1: o documentário faz parte do dvd, que já está a venda.
obs.2: laganaro atua também na direção de filmes publicitários e trabalhou nos clipes das bandas hateen e nxzero.



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quinta-feira, 28 de junho de 2007

björk no brasil


todo ano ela vem para o brasil e, desta vez, parece que ela vem mesmo cantar no tim festival, em outubro. mais björk aqui.



trecho de human behavior


there's definitely, definitely, definitely no logic
to human behaviour
but yet so, yet so irresistible....

(não há nenhuma lógica para o comportamento humano,
mesmo assim é irresistível...)
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björk no brasil



dizem que, para fazermos uma análise crítica de algo ou alguém por quem temos paixão, é preciso nos distanciarmos do objeto a ser analisado. caso contrário, nossas emoções podem interferir, fazendo com que sejamos parciais na análise, deixando de lado possíveis aspectos negativos. concordo em partes.


exemplo: comecei a escrever um texto, analisando a obra da cantora islandesa björk. tentei achar algum defeito, problema, falha... não encontrei nada ruim. nada. tá bom, ela é grossa, se irrita facilmente com fãs, dá soco na cara dos repórteres, costuma jogar objetos em quem pede para tirar foto com ela. tudo isso pode influenciar na carreira, mas ela é björk. ela pode.


viu só? apesar dela ter feito tudo isso, fui parcial e a defendi.


e se ouvir björk é bom, vê-la é melhor ainda. seus clipes são muito mais que músicas em versão video. são mais que videos musicados. são verdadeiros curta-metragens. coisa fina.




recentemente, a revista isto é elegeu os cinco melhores clipes da cantora. não lembro agora quais eram mas, pra mim, todos os clipes são os melhores. todos. desde os antigões como human behavior, venus as a boy e play dead de 1993, que vejo dezenas de vezes seguidas até estes mais recentes como all is full of love e earth intruders.


it's oh so quiet é o mais famoso e foi o primeiro que vi, em 1995, quando conheci e comecei a gostar da moça. o que são aqueles gritos, aquela dança estilo broadway, aquelas piruetas, aquele vestido laranja, aqueles guardas-chuvas abrindo em seqüência?



para resumir a história, não finalizei o texto, mas quando conseguir, posto aqui. por enquanto, informo apenas que dizer que björk é excêntrica é redundante. ela criou um estilo próprio e ninguém, até hoje, conseguiu superá-la, ou seja, neste estilo, ela se supera, supera as outras cantoras que existem e as que virão a existir.




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quarta-feira, 27 de junho de 2007

novo conto do marcelino freire

[este é o novo conto do marcelino freire, que fará parte do novo livro dele, RASIF - mar que arrebenta, a sair no começo de 2008, pela record. ele disse que escreveu porque andavam reclamando que seus contos falavam apenas de tragédia. então, resolveu escrever um que falasse de amor. o resultado é este aí]

CRISTÃO
Marcelino Freire


Amor é a mordida de um cachorro pitbull que levou a coxa da Laurinha e a bochecha do Felipe. Amor que não larga, na raça. Amor que pesa uma tonelada. Amor que deixa, como todo grande amor, a sua marca.


Amor é o tiro que deram no peito do filho da dona Madalena. E o peito do menino ficou parecendo uma flor. Até a polícia chegar e levar tudo embora. Demorou. Amor que mata. Amor que não tem pena.

Amor é você esconder a arma em um buquê de rosas. E oferecer ao primeiro que aparecer. De carro importado. De vidro fumê. Nada de beijo. Amor é dar um tiro no ente querido se ele tentar correr.

Amor é o bife acebolado que a minha mulher fez para aquele pentelho comer. Filhinho de papai, lá no cativeiro. Por mim, ele morria seco. Mas sabe como é. Coração de mãe não gosta de ver ninguém sofrer.

Amor é o que passa na televisão. Bomba no Iraque. Discussão de reconstrução. Pois é. Só o amor constrói. Edifícios. Condomínios fechados. E bancos. O amor invade. O amor é também o nosso plano de ocupação.

Amor que liberta, meu irmão. Amor que desce o morro. Amor que toma a praça. Amor que, de repente, nos assalta. Sem explicação. Amor salvador. Cristo mesmo quem nos ensinou. Se não houver sangue, meu filho, não é amor.

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terça-feira, 26 de junho de 2007

o comentário e a catarse

"adorei (mais ou menos) o que vc falou do darwin no seu blog. meio chapa branca.

nao acredito em arca de noé, uma coisa é "história" outra é crença. Gosto dos místicos. Acredito na bíblia enquanto cifra. teologia deveria ser decifraçao. adoro os livros ateus do saramago por que eles me fizeram mais cristão. acho "religiao" uma ideia bonita e mal engendrada na prática por homens tortos. como são todos mal modelados, acho impossivel uma religião que abarque o compromisso de religar o homem a Deus. Acho que cada experiencia espiritual uma esperiência individual, sempre dolorosa (...) em busca de uma verdade impossível. Vai sempre ser busca, queda, elevação. Sou pela catarse, sou pela momento epifânico, sou pela graça também com alegria. O corpo é provisório elemento, mas sem a limitação que é a a carne como transcender o corpo? Deus para mim não é uma experiência intelectual. Acho a bíblia a coisa mais linda do mundo. Amo todas as passagens narrativas (e cantares poéticos), o livro de Jó é impensável materia-drama inconsútil. viver exige demais do vivente. eu fiz uma tese longa só para pensar na alma, em Deus, nas palavras, nos homem. acabei quedando na idéia de que a vida em si "é só o demoramento". (...) Deus sempre me livra da tristeza extrema. A sua mão moldou o homem, sete dias, adao (Adamah), Caim, Abel, tudo lindo, cifras. sete dias e nomear o mundo. acho um disperdício os que leem ao pé da letra. e no princípio, lá estão as águas, a luz que se faz numa grande explosão. tudo se complementa. e os pobrezinhos querem os personagens. Darwin é um profeta. Marx também. Antes Aristóteles, Shakespeare depois, Freud outro. Podemos continuar a listar. Todos que tentam explicar o que é o homem e a vida, mesmo ao negar Deus, já estão confirmando o maravilhoso.

mas me cansa tanto domar dogmas, excogitar enigmas, engolir esquemas.


meditemos."

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[comentário do meu amigo e leitor deste blogue, eduardo, sobre a postagem abaixo. publiquei sem pedir. no fundo, no fundo ele diz algumas coisas que eu gostaria de dizer. como complemtento, ele publicou no blogue dele um fragmento da tese longa que escreveu. para ver, clique aqui]
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segunda-feira, 25 de junho de 2007

darwin no masp

objetos do escritório de charles darwin



há uma grandeza nessa visão da vida


depois de visitar a exposição "darwin - descubra o homem e a teoria revolucionária que mudou o mundo", no masp, uma coisa não saiu de minha cabeça: darwin acreditava em deus. isso mesmo! o cara que desenvolveu a principal teoria que vai de encontro ao criacionismo acreditava num deus. o bom destas exposições é que passamos a tomar contato com situações e curiosidades que os livros didáticos e as enciclopédias não mostram. objetos pessoais, roupas, cadernos, rascunhos, cartas... eu gosto disso.

eu não sabia, por exemplo, que ele tinha passado pelo brasil em plena época da escravidão, fazendo críticas a este sistema e que caçou emas no rio grande do sul. eu não sabia que, quando foi chamado para fazer uma expedição ao redor do mundo com outros naturalistas, pediu permissão ao pai, que primeiramente não autorizou, mas depois, com uma lista das objeções e respostas à todas elas, deixou o filho viajar. não sabia também que, antes de se casar, fez uma lista da mulher ideal e que até sua morte, sentiu-se culpado pela morte de uma das filhas.

a exposição traz também animais, esqueletos de dinossauros, plantas e um monte de informações sobre suas teorias, seus livros e a famosa lei da seleção natural. mas nada disso me chamou mais à atenção, que as informações que vi nas entrelinhas da mostra, em que pude ler:


"minhas dúvidas e questionamentos sobre a existência de um ‘designer’ criador do homem e da natureza não significam que eu não acredite que há alguém por trás de tudo isso"


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sexta-feira, 22 de junho de 2007

estes dias

ontem: último dia de aula do curso básico de teatro do macu (naíma). último pra mim, que tranquei matrícula. depois escrevo como foi esta experiência.

amanhã: tem lançamento do cd do marcelino freire. sim, o arretado autor de contos negreiros resolveu gravar um cd homônimo ao livro, em que narra todos os contos. há também participação da cantora fabiana cozza e do percussionista douglas alonso, que foi meu professor de batuque. coincidências (?)

o marcelino aproveita pra dizer que, na ocasião, com entrada franca, acontecerá a apresentação do show "cantos negreiros". será neste sábado, dia 23/6 às 18 horas, na biblioteca alceu amoroso lima, à av. henrique schaumann, 777.

hoje: preciso ficar só e sozinho. talvez assim, consiga ouvir o que tenho a dizer a mim mesmo. nem me lembro quando foi a última vez que fiz isso.
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terça-feira, 19 de junho de 2007

tatiana belinky

[tatiana belinky é a principal responsável pelas primeiras adaptações do sítio do pica-pau amarelo para tv, em 1952. michele prado é uma amiga jornalista que adora literatura infantil, arraiás e quadrinhos. e foi ela que, atendendo a um pedido meu, escreveu este belo perfil da tatiana]


era uma vez

Quando pisou em terra firme e, pela primeira vez, os olhos passearam pela paisagem tropical do Brasil, acreditou estar numa "Cucanha", terra imaginária com "enorrrmes palmeiras" de "enorrrmes folhas" e cachos de banana. Até então, não conhecia o fruto em penca. Na Rússia, dividia milimetricamente com os irmãos a única banana que o pai levava para casa. Sempre gostou do sabor acre. Não precisa de chocolate para ser doce.


Aficionada por línguas e história desde que aprendeu a ler, com seus tenros 4 anos e meio, encontrou nas artes e na literatura sua grande paixão. Leu Jeca Tatu no verso de um folheto do Laboratório Fontoura e pronto! Encantou-se de cara. Prontamente, tratou de ler toda a obra de Monteiro Lobato. Queria ser bruxa, mas foi só conhecer Emília para mudar de idéia.

A criança que maravilhou-se com o mundo das palavras cresceu, mas só por fora. Conheceu Júlio Gouveia, psicólogo e psiquiatra, amante das manifestações artísticas, assim como ela. O casal tinha tanto em comum que até chegaram a ser interrompidos, na Praça Buenos Aires, quando um guarda interpelou: "Vocês são namorados mesmo? Nunca vi namorados que só falam...". Afinidades reveladas, "casaram-se duas bibliotecas".

"Anti-tiete" não queria conhecer seus autores preferidos, temendo que tivessem "nariz empinado" e acabasse o encanto. Mas, por força do acaso, num belo dia Lobato ligou em sua casa, curioso por conhecer seu marido Júlio. Assim que atendeu ao telefone e ouviu o interlocutor dizendo quem era, não acreditou, respondendo prontamente: "Ah, tá! Eu sou o Rei Jorge!".

Hoje, aos 88 anos, ainda mantém vivinha a criança que foi no passado, um "feixe de influências". É "tecnofóbica", "os dedos não encontram as teclas", mas também, nem precisam... As mãos gesticulam, falam por si só. Escreve apenas sobre o que gosta e tem horror ao politicamente correto. Vê as histórias infantis como um treino para as emoções vida afora. Tatiana ama. Belinky encanta. Já passou da marca dos 100 livros publicados. Deve ser culpa de algum Pó de Pirlimpimpim.

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[mais michele, aqui]
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domingo, 17 de junho de 2007

flap, flip, flap!

flap! 2006



há tempos ouço falar da flip (festa literária internacional de parati) e sempre tive vontade de participar. não tem um motivo especial, a não ser gostar muito de livros. sei que por lá aparecem muitos autores famosos, rolam uns workshops, oficinas, palestras, debates. parece ser bacana. e sempre gostei destes eventos internacionais que acontcem no brasil, mas fora de são paulo, até para manter contato e conhecer pessoas com interesses afins. por isso fui ao fórum social mundial em porto alegre, ao festival de teatro de curitiba, encontro de comunicação em belo horizonte, entre outros.


ano passado quis ir à tal da flip. não fui. quando soube que para assistir a um bate-papo com escritor eu teria de pagar r$ 17,00 ou r$ 5,00, para ver do lado de fora, achei muito estranho. sei da qualidade dos autores. eles merecem respeito. mas qual o objetivo desta festa? promover literatura? promover encontros? vender livros? não consegui achar resposta. então pensei: será este mais um evento hipócrita que nós, brasileiros, adoramos. um são paulo fashion week literário, em parati!?


na época do evento, em 2006, estava escrevendo um livro-reportagem (tcc) sobre ódio na internet e, por isso, tive muito contato com blogues e blogueiros. não lembro exatamente como, mas neste momento li em algum blogue sobre um evento alternativo à flip. era a flap! e ía acontecer no espaço dos satyros, praça roosevelt, são paulo. não pude ir, mas soube da repercussão e achei demais a iniciativa do grupo que a criou.


este ano tem a flip novamente. agora é r$ 20,00 pra ver cada palestra. como disse, não desqualifico a festa, nem os escritores que participam. se nos próximos anos eu tiver mais dinheiro, com certeza valerá a pena passar uns dias em parati, num evento como este. mas por que eu iria pra lá se aqui, em são paulo, tem a flap! ?


e a programação da flap! 2007 está ótima. além de amigos como eduardo araújo teixeira, que participa da mesa 'turma do fundão: a literatura na sala de aula' e marcelino freire - que também vai à flip, na abertura, tem um monte de gente que admiro pra caramba, como o lourenço mutarelli, glauco mattoso, alberto guzik. tem a poesia de donizete galvão, que gosto muito e de ana rüsche, cujo blogue, peixe de aquário, leio quase todos os dias.


e tem mais um monte de coisa interessante que se eu fosse você, não perderia.


fotos, vídeos, curiosidades, textos e programação completa, aqui.


flap 2007: contaminações.
29 de junho. casa das rosas (av. paulista, n° 37)
30 de junho e 1º de julho. espaço dos satyros I (pça. roosevelt, nº 214)
grátis.


flap! 2006

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sexta-feira, 15 de junho de 2007

romero britto



romero britto é daqueles artistas que fazem mais sucesso fora do que dentro do país natal. pernambucano, diz que passava os dias da adolescência copiando obras de toulouse-lautrec. não vejo nada de toulouse em suas obras, que são todas coloridas, quase sempre com personagens felizes ou bichos, principalmente gatos. até dia 22 de junho está em exposição no espaço cultural citi, na aveninda paulista 1.111. particularmente achei a exposição fraquinha, comparada à que aconteceu há uns 8 anos, numa galeria dos jardins. para quem quiser conhecer seus trabalhos, sugiro visitar sua galeria, que fica na rua oscar freire, 562, em sampa.

happy cat and snob dog

flower power iv - eu tenho!







the hug - ainda vou ter

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quinta-feira, 14 de junho de 2007

cão sem dono, beto brant














sem muito o que dizer, digo que este novo longa do beto brant é muito, muito bom. diferente dos anteriores (os matadores, ação entre amigos, o invasor e crime delicado), esta é uma história de amor. na verdade é uma adaptação do livro do daniel galera, até o dia em que o cão morreu, feita por marçal aquino. o filme segue uma tendência do cinema brasileiro de trabalhar com não-atores ou atores provenientes do teatro e tem uma proposta bem realista.


depois da exibição do filme ontem, na pré-estréia, teve um bate-papo com o marçal e com a atriz tainá müller. o interessante é que ela tinha sido contratada por brant para ser assistente de direção e era a responsável pelo casting. fez zilhões de testes com garotas de porto alegre e, sem êxito, ela mesma ficou com o papel de marcela, namorada se ciro (julio andrade), um cara formado em letras, revisor e tradutor de livros russos.


importante: tainá müller é namorada do daniel galera, autor do livro. trabalhou na mtv, foi modelo e cursou a faculdade de jornalismo na puc para ganhar o dinheiro da cerveja do fim de semana, já que seu pai não ía dar mais mesada. é uma excelente não-atriz e está estudando para ser tornar uma.

estréia amanhã, dia 15/6.


sinopse, fotos, trailler, etc, aqui.
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quarta-feira, 13 de junho de 2007

ainda, a ocupação na usp

segundo o site g1, o pessoal da usp tem indícios de desocupar a reitoria. como já disse aqui no blogue, acredito ser uma manifestação legítima, mas sei que tem muito oba-oba por lá. tem gente querendo mesmo é farra, briga, choque com a polícia. estive lá e ouvi alguns absurdos como, por exemplo, a criação de uma comissão de segurança que se revezava no prédio, equipado com bolinhas de gude à espera das tropas. só pode ser brincadeira. um outro disse que não via a hora da polícia chegar. tem gente comparando a ocupação ao maio de 68, na frança... será?

creio que não, mas veja que interessante este folheto que recebi logo na entrada da reitoria.

já que a polícia não vem... acho que eles não vão mais precisar...


segunda-feira, 11 de junho de 2007

não tem mais jeito


mãe e filho discustindo


(andrew) _ você é uma vaca insensível.


(bree) _ não entendi o que disse.


(andrew) _ eu te odeio.

(bree) _ o oposto do amor não é o ódio. é a indiferença, o que significa que ainda se importa comigo.




[diálogo de bree com seu filho andrew, no décimo sexto espisódio da segunda temporada de desperate housewives, chamado 'there is no other way'.]


fantástica esta cena.




ps. o título do episódio veio como uma confirmação, assim como a música que ouvi o dia todo de vanessa da mata, que diz: "é só isso, não tem mais jeito, acabou, boa sorte..."
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coisas acontecem
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boa sorte, good luck

é só isso
não tem mais jeito
acabou, boa sorte


não tenho o que dizer
são só palavras
e o que eu sinto
não mudará


tudo o que quer me dar
é demais
é pesado
não há paz


tudo o que quer de mim
irreais
expectativas
desleais

that’s it
there is no way
it over, good luck

i have nothing left to say
it’s only words
and what l feel won’t change

everything you want to give me
it too much
it’s heavy
there is no peace

all you want from me
is’nt real
expectations

tudo o que quer me dar
é demais
é pesado
não há paz


tudo o que quer de mim
irreais
expectativas
desleais

mesmo, se segure
quero que se cure
dessa pessoa
que o aconselha

há um desencontro
veja por esse ponto
há tantas pessoas especiais

now even if you hold yourself
i want you to get cured
from this person
who poisoned you

there is a disconnection
see through this point of view
there are so many special people in the world
so many special people in the world, in the world

all you want, all you want

now were falling into the night
um bom encontro é de dois
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sábado, 9 de junho de 2007

não por acaso

branca messina e cássia kiss (de costas)


leonardo medeiros e rita batata



rodrigo santoro
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não por acaso: trânsito, sinuca e omelete

quando li uma matéria sobre o filme não por acaso, cujo título era “rodrigo santoro estrela o drama”, fiquei um pouco receoso. obviamente, pensei, é apenas uma estratégia de marketing para atrair mais espectadores para um filme brasileiro. não me enganei, porque santoro não estrela nada e ninguém estrela nada naquele filme porque nenhum ator se sobressai ao outro.


não por acaso, de philippe barcinski, é um dos filmes mais inteligentes que vi. primeiro porque foge do senso comum cinematográfico brasileiro que, se não fala da miséria/sertão do nordeste, fala da miséria/favela no rio de janeiro ou então da miséria/violência de são paulo. depois, porque são poucos os filmes em que pude aprender coisas essenciais como, por exemplo, fazer omelete, jogar sinuca, a diferença do café produzido na bahia e no espírito santo e quantos segundos um semáforo leva para fechar e abrir.


o drama acontece em são paulo e traz leonardo medeiros como um engenheiro de trânsito, apaixonado pela ex-amante, mônica e pai de uma garota de dezesseis anos que não o conhece. rodrigo santoro fabrica mesas de sinuca, joga sinuca e mora na fábrica de sinuca com teresa, que morre atropelada pelo carro em que está mônica, que também morre no acidente.


e é assim que se desenrola o filme, com emoção, silêncios, diálogos concisos, bela trilha sonora, sem exageros e com atuações marcantes. destaco o trabalho de leonardo medeiros, já conhecido por seu trabalho no cinema em lavourarcaica e cabra-cega, e no teatro, em avenida dropsie, quando fazia parte da sutil companhia de teatro, numa montagem que até chuva tinha, em pleno palco do teatro popular do sesi. inesquecível.

outros dois trabalhos primorosos são o de branca messina, que morre no começo do filme e de rita batata, filha do personagem de medeiros. Ambas são de uma naturalidade incrível e deixam suas marcas mostrando que são atrizes talentosas. vale lembrar que vieram do teatro.


em não por acaso, conseguimos perceber que a vida não é como um jogo de sinuca, nem como o trânsito, em que é possível prever, controlar e mudar o que pode acontecer se darmos um passo a frente. ou recuarmos.

ou simplesmente ficarmos parados.
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quinta-feira, 7 de junho de 2007

fé versus fé

então, para evitar problemas familiares que certemente se estenderiam para o resto de meus dias, assinei uma petição para trazer de volta dos estados unidos o tal do estevan hernandes e sua esposa, sônia, da igreja renascer em cristo. não me importo com eles. pra mim tanto faz se eles vão ficar lá ou aqui. na verdade acho que é melhor eles ficarem aqui, pois o sistema carcerário de lá é muito bom. luxuoso até. sei que o que está acontecendo não é perseguição religiosa e pra mim eles deturpam a bíblia. não falo apenas da questão financeira e acredito que eles se assemelham à maioria dos políticos corruptos brasileiros.

sei que esta petição não vai dar em nada, mas não consegui dizer isso, nem nada daquilo que acabo de escrever olhando nos olhos daquele fiel aparentemente fanático que me entregara o documento. não tive coragem de ir de encontro ao que me dizia.

e no fundo, até o invejei por ter alguma coisa em que acredita a ponto de se passar por ridículo (porque aquela cena foi ridícula). tive vontade de sentir por algo ou alguém um pouco daquela paixão, expressa não apenas por seus olhos, mas por aquela atitude. e me senti mais vazio.
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terça-feira, 5 de junho de 2007

25 vezes teatro

nos posts abaixo, uma lista com as peças de teatro que vi nestes primeiros cinco meses de 2007. até agora foram 25, fora as leituras. o bom de guardar os bilhetes é isso. consigo relembrar o dia, o lugar, com quem fui, o que fiz antes e depois. nem todas as peças foram boas, mas todas valeram a pena. será o teatro uma paixão?

ah.: não encontrei todos os créditos das fotos. a maioria é de divulgação. outras tirei do blogue cacilda.

[1] - o avarento – 4 de janeiro

[2] - primeiro amor – 31 de janeiro




[3] - a pedra do reino – 10 de fevereiro



[4] - a filosofia na alcova – 17 de fevereiro

[5] - cleide, eló e as pêras – 23 de fevereiro